Surfistas “peregrinam” em busca das ondas gigantes de Nazaré, em Portugal

DSC_0654Na estrada quase todos os carros transportam pranchas no teto. É inverno, um dos mais rigorosos dos últimos anos na Europa, mas também é o melhor período do ano para a caça às ondas gigantes da Praia do Norte, localizada na pequena cidade de Nazaré, 122 quilômetros ao norte de Lisboa, o novo destino mais procurado pelos surfistas no velho continente. Foi lá que, há cinco anos, um norte-americano ficou famoso ao bater o recorde mundial de maior onda surfada. A gigante de 30 metros foi vencida por Garrett McNamara, que aproveitou a fama para se tornar uma espécie de embaixador de Nazaré.

DSC_0693“Sempre esteve lá”, diz McNamara, em referência à maior onda do mundo. “Nazaré já é a capital do surf de ondas gigantes, mas isso só interessa a 1% dos surfistas que conseguem pegar essas ondas”, argumenta, sugerindo aos amadores ou surfistas em treinamento a cidade próxima de Figueira da Foz. “Lá temos ondas médias muito confiáveis”, recomenda.

DSC_0680“Eu entendo que todos querem ir para Nazaré, porque o lugar é magnífico e tem, sem dúvida, as maiores ondas do mundo”, diz. McNamara volta todos os anos à praia portuguesa que ajudou a tornar famosa. Ele argumenta que fica feliz pela descoberta das boas condições de Nazaré para o surf ter ajudado a economia de todo o país. Ele tem razão, pois segundo a revista Forbes o surf traz algo em torno de 500 milhões de dólares por ano ao país.

DSC_0694A diversificação do turismo, antes quase que totalmente religioso voltado ao “Sítio”, como é conhecido o Santuário de Nossa Senhora de Nazaré, também agrada autoridades locais e moradores. O aumento do número de visitantes pode ser medido, por exemplo, pela quantidade de passagens vendidas anualmente no elevador que liga a parte baixa da cidade ao Sítio, meio caminho para a famosa Praia do Norte. Em 2013, foram transportados cerca de 600 mil passageiros, número que chegou aos 800 mil no ano seguinte e, em 2016, ultrapassou 1 milhão.

DSC_0660O incremento no número de turistas foi sentido principalmente na época das ondas gigantes, entre outubro e fevereiro. “Esta nova dinâmica associada à onda da Nazaré traz novas oportunidades, mas também novas exigências”, diz Walter Chicharro, presidente da Câmara Municipal de Nazaré. Ele cita as melhorias feitas pela administração na Praia do Norte e comemora que “também se notam muitas movimentações no sentido de ampliar a oferta para o público do surf” no setor privado.

DSC_0771Novos hotéis e albergues foram inaugurados nos últimos cinco anos, muitos por quem havia abandonado a cidade em busca de oportunidades. É o caso de Zezé, que depois da onda gigante transformou uma velha casa em um hostel moderno, recebe visitantes de todo o mundo e coleciona referências em todas as línguas. “Ela nos ajudou com tudo”, “a vista da varanda para o mar é maravilhosa”, “fomos muito bem recebidos pela Zezé” são alguns dos comentários de seus hóspedes.

DSC_0753“Nazaré tem as maiores ondas do mundo e ondas grandes são o que eu busco, assim estive aqui durante todo o inverno e vou voltar todos anos”, diz Garrett McNamara. A temporada de ondas grandes começa em meados de outubro e dura todo o inverno. Não é todo o dia que o mar está agitado a ponto de produzir uma onda de 30 metros como aquela que Garrett surfou no outono de 2011, mas mesmo nos momentos de suposta calmaria a força do mar impressiona.

DSC_0662A pequena cidade já era conhecida por ser um dos principais destinos do turismo religioso de Portugal, junto com Fátima, que fica a 50 quilômetros dali. O Santuário de Nossa Senhora de Nazaré, que também é padroeira da maior festa religiosa do Brasil, o Círio de Nazaré, atrai visitantes principalmente no verão. Mas desde que a onda de Nazaré for parar no Guinness World Records, o número de surfistas profissionais e amadores que peregrinam até aqui não para de aumentar.

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Nazaré além do surf

Apesar de ser o principal destino dos surfistas na Europa, Nazaré reserva um espaço para quem não tem habilidade e coragem para enfrentar as ondas gigantes. Dos mirantes do Farol do Forte de São Miguel, localizado na ponta da falésia que divide as praias de Nazaré e do Norte, diariamente centenas de pessoas assistem os surfistas enfrentando a força das águas.

DSC_0695Para ver as maiores ondas, quem conhece bem o mar recomenda acordar cedo ou optar pelo fim da tarde. “Quando a maré está alta”, responde um pescador local ao ser questionado.

nazare-6Enquanto os pescadores estão trabalhando em alto mar, as nazarenas, como são conhecidas as moradoras locais, ficam na cidade e tomam conta de toda a vida em terra. Muitas delas trabalham oferecendo alojamentos para os visitantes ou vendendo castanhas e outros produtos locais. As nazarenas usam as tradicionais “sete saias”, um costume local que dizem representar atribuições bíblicas, míticas e mágicas que envolvem o número sete, como as sete virtudes, os sete dias da semana ou as sete ondas do mar. Nos dias de muito calor, confessam as simpáticas senhoras, diminuir o número de saias para duas ou três é permitido.

nazare-12Na parte baixa da cidade, onde está o centro histórico com ruas estreitas e retas que terminam na beira-mar. A praia é extensa tanto em comprimento quanto em largura da faixa de areia. Dificilmente favorece um mergulho tranquilo, já que o mar está quase sempre nervoso.

nazare-4Para chegar no local onde Nossa Senhora de Nazaré operou um milagre, segundo a lenda, há o elevador ou um caminho de escadas. Quando as escadas acabam, na beira da falésia, está o mirante do Suberco, que oferece uma vista do centro da cidade e da praia. Numa face do paredão de pedras está um mural recente assinado pelos artistas brasileiros Erick Wilson e Frank Wilson, que pode ser visto do elevador durante a subida.

DSC_0665No Sítio há diversas lojas de produtos locais, como comida e artesanato, a igreja e alguns restaurantes no entorno da praça. Um monumento na beira da encosta lembra que o navegador Vasco da Gama esteve no local antes de suas duas viagens às Índias para pedir a benção de Nossa Senhora de Nazaré (Pedro Álvares Cabral também veio aqui antes da viagem de 1500).

nazare-9Ao lado do monumento que lembra a devoção do principal navegador português está a pequena gruta que guarda uma imagem da Santa desde que esta salvou a vida de Dom Fuas Roupinho em 1182. Foi nesse local, segundo a lenda, que Nossa Senhora atendeu as preces do cavaleiro e evitou que ele e seu cavalo caíssem de uma altura de mais de cem metros. Do Sítio até o Farol são poucos metros que podem ser feitos de carro ou pelas trilhas na beira da falésia. Na lateral do Farol há uma escada que leva a um ponto de onde é possível observar bem de perto as ondas estourando na pedra.

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