Gibraltar, o paraíso dos macacos simpáticos

Um misto de curiosidade e gosto por passeios na natureza me levou à Gibraltar, território que pertence à Inglaterra localizado no sul da Espanha. Assim como os espanhóis têm Ceuta e Melilla, na África, os ingleses mantêm essa colônia em um local que já foi estratégico do ponto de vista militar: uma pedra gigante, praticamente uma fortaleza natural, no extremo sul da Europa, bem na entrada do Mar Mediterrâneo.

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Menos de 30 mil pessoas moram em Gibraltar e a maior parte trabalha em serviços militares, no porto ou no estaleiro. Quase todos são britânicos, mas há muitos espanhóis e pessoas de outras nacionalidades que foram para lá. A mistura sobretudo de espanhóis e ingleses gerou, inclusive, um idioma próprio, o SpaniEnglish: é comum ouvir uma mistura louca de inglês e espanhol quando você pergunta o preço de algo no comércio local.

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Pertencente à Inglaterra há mais de 300 anos, Gibraltar deixou de ser somente um ponto militar estratégico para se tornar um dos principais destinos turísticos da península ibérica. No parque nacional é possível fazer trilhas e, claro, interagir com os simpáticos macacos que habitam o local.

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Os primatas que habitam a pedra fazem muito bem o trabalho de relações públicas e conquistam a simpatia dos turistas. Ao caminhar pelas estradas militares que cortam as pedras, o visitante pode cruzar com dezenas de macacos que estão tão acostumados aos humanos que não esboçam a menor reação ao serem fotografados.

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Optei por subir a pedra caminhando, apreciando a paisagem dos vários mirantes pelo caminho e parando para interagir com os macacos. Para acessar os pontos turísticos é preciso desembolsar uma boa quantia (em libras!): cada atração custa 10 libras e algumas, como o túnel militar no interior da pedra, têm capacidade limitada e é preciso comprar com antecedência. Nada é de graça em Gibraltar. Até para ter um mapa turístico do território é preciso pagar 1 libra nas máquinas automáticas instaladas em vários pontos da cidade.

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Fiz uma visita de um dia, começando por volta do meio-dia e terminando à noite, após beber a pint mais barata da vida (4 euros). Ah, Gibraltar deve ser o único lugar britânico onde o euro é aceito normalmente. Você não precisa trocar seu dinheiro por libras para fazer uma visita turística, pois todos os estabelecimentos comerciais aceitam a moeda europeia.

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Para chegar em Gibraltar só há um caminho terrestre, a Avenida Winston Churchill, que cruza a pista do Aeroporto Internacional, instalado estrategicamente ocupando a única faixa de terra firme que liga o território inglês ao espanhol.

No lado hispânico está a cidade de La Línea de la Frontera, coincidentemente uma das mais empobrecidas da Espanha.

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Após vencido o controle de imigração, caminhamos pela avenida Churchill, cruzando a pé a pista do aeroporto e entrando na parte urbanizada de Gibraltar. Um típico telefone público inglês está logo na entrada. Gibraltar é uma reprodução exata de qualquer cidade britânica. Além dos telefones, as lixeiras, as placas, os letreiros, os bancos de praça são iguais aos das ruas de Londres.

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Se você tem pouco tempo, sugiro que fique pelo centro da cidade e suba a pedra para fazer amizade com os macacos. Para chegar no topo há duas entradas principais. Uma está no “Jews’ Cemetery Battery”, onde começam as estradas asfaltadas militares que levam aos locais de interesse ou, se você olhar com atenção, encontrará o início de uma trilha que costeia a pedra pela face que está virada para o Mediterrâneo. O caminho é muito bonito e seguro, pois a trilha é formada por escadas na pedra e não há como se perder.

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Castelo dos Mouros

A outra opção é começar a subida pelo Castelo dos Mouros, que está perto da praça “International Commercial Centre”. Subindo por ali, a primeira parada pode ser o próprio castelo ou a entrada dos túneis militares (o ingresso custa 10 libras para cada atração). Continuando a subida você vai passar pelo “Military Heritage Center”, um ótimo ponto para observar a vizinha cidade espanhola de La Línea de la Concepción, o aeroporto e o início das praias da Costa do Sol. Nesse ponto já há a presença dos mais simpáticos moradores de Gibraltar: os macacos.

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Continuamos o caminho pelas estradas até chegar à grande muralha “Charles V Wall”, onde há dezenas de macacos prontos para brincar com os turistas. Nesse ponto as vans turísticas costumam estacionar para permitir que os visitantes tirem fotos com os animais. Acostumados com a presença humana, os macacos mais jovens sobem nos carros, pulam nas pessoas e brincam uns com os outros sem se importar com os flashes.

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A partir desse ponto você pode descer pela escadaria da muralha até chegar a outro mirante. Se seguir caminho pela esquerda, vai cruzar a ponte suspensa que permite uma bela vista da Baia de Gibraltar.

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Em resumo, Gibraltar só tem explicação se pensarmos que se trata de uma fortaleza construída pela natureza em um local estratégico – a entrada do Mar Mediterrâneo. E assim é essa pequena colônia britânica, um lugar que depende das atividades de transporte marítimo e principalmente da presença militar para ter razão de ser. A sensação é de estar visitando uma grande base inglesa em território alheio onde, por acaso, há uma cidade…

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Onde ir em Gibraltar:

Aeroporto Internacional: opte por entrar caminhando em Gibraltar, assim, após passar pelo controle de imigração, você vai cruzar a pista do aeroporto da cidade.

International Commercial Centre: a praça central da parte urbanizada da cidade, cheia de bares e restaurantes.

Main Street: rua comercial da cidade, que começa no International Commercial Centre.

Trafalgar Cemetery: fica no final da Main Street e é onde estão sepultados os marinheiros e soldados britânicos que morreram protegendo a península.

Gibraltar Botanic Gardens: o jardim botânico da cidade está localizado no caminho entre a parte histórica e o sul da península.

Moorish Castle: o castelo mouro de Gibraltar está logo no início da subida para a pedra. O ingresso custa 10 libras.

Great Siege Tunnels: durante o cerco das tropas de Napoleão, os soldados britânicos escavaram uma grande rede de túneis onde resistiram ao asseio inimigo por três anos.

Military Heritage Center: o primeiro ponto de observação na subida para a pedra. Fica virado para a cidade espanhola de La Línea de La Concepción.

Cable Car Top Station: ponto de chegada do bondinho que leva ao topo da pedra.

Charles V Wall: é o ponto onde os macacos de Gibraltar ficam a espera da festa dos turistas.

Peak: o pico da pedra permite uma vista do Mar Mediterrâneo e, se o céu estiver limpo, você poderá ver parte da África.

Trilha a partir do Peak: uma entrada quase escondida pouco antes do museu localizado no pico dá acesso a uma trilha de escadas pela encosta da rocha. Ela começa ali e termina no monumento Jews’ Cemetery Battery, no outro lado.

Pubs: para terminar o dia de passeio, recomendo aproveitar um dos muitos pubs típicos ingleses que estão na região histórica, a maior parte deles na Main Street.

Publicado na Sputnik Brasil.

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